Poluição do ar


A poluição do ar resulta da acumulação, na troposfera e na estratosfera (camadas inferiores da atmosfera), de partículas sólidas em suspensão e de substâncias no estado gasoso, como óxidos de enxofre, óxidos de nitrogénio, óxidos de carbono ou compostos orgânicos voláteis.

Figura 1: Poluição atmosférica
Figura 1: Poluição atmosférica

Tipos de Poluentes

Poluentes Primários

Estes são emitidos diretamente para a atmosfera, em resultado da atividade industrial e dos transportes.

Exemplos: Maioria dos hidrocarbonetos e das partículas suspensas, como o dióxido de enxofre (SO₂), o ácido sulfídrico (H₂S), os óxidos de nitrogénio (NOx), o amoníaco (NH₃), o monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO₂ ), o metano (CH₄ ) e os aldeídos. 

Poluentes Secundários

Estes resultam da reação dos poluentes primários com o ar, formando novos componentes.

Exemplos: Maioria dos sais de nitrato (NO₃⁻ ), além do peróxido de hidrogénio (H₂O₂), o ácido sulfúrico (H₂SO₄ ), o ácido nítrico (HNO₃), os sulfatos (SO²⁻₄ ) e o ozono (O₃).

Figura 2: Poluentes
Figura 2: Poluentes

A qualidade do ar é influenciada pelos poluentes, cujos efeitos variam conforme a sua composição química e a quantidade que é libertada, o que define as concentrações destes na atmosfera.

Além disso, a poluição do ar constitui um grave problema ambiental e um dos principais problemas de saúde pública, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, estimam-se em sete milhões o número de mortes prematuras por ano causadas pela poluição atmosférica. 

Causas

A poluição atmosférica tem entre as suas principais fontes emissoras as indústrias, as centrais elétricas, a aviação, a utilização excessiva de automóveis, as cidades, a pecuária, a agricultura, o vulcanismo e os incêndios florestais.

Consequências

As principais consequências da poluição atmosférica são o nevoeiro fotoquímico, as chuvas ácidas, a redução da camada de ozono e o aquecimento global, além dos problemas respiratórios e de saúde provocados no ser humano.

Figura 3: Mecanismo de formação do nevoeiro do toquímico
Figura 3: Mecanismo de formação do nevoeiro do toquímico

Nevoeiro fotoquímico

O nevoeiro fotoquímico, também designado por smog fotoquímico, é uma variedade do nevoeiro convencional comum em centros urbanos que resulta da ação da luz sobre o conjunto de substâncias poluentes presentes na atmosfera, produzindo uma camada roxo-acinzentada na atmosfera, de grande ameaça à saúde daqueles que estão em contacto com o mesmo.

A origem deste está essencialmente na utilização de combustíveis fósseis, na indústria e nos transportes, responsáveis pela libertação óxidos de nitrogénio e compostos orgânicos voláteis para a atmosfera. Por ação da radiação solar ultravioleta e pelo vento fraco, estes compostos reagem com o oxigénio atmosférico originando ozono troposférico, um dos principais constituintes do mesmo. Como tal, a reação deste gás com os hidrocarbonetos leva à formação de poluentes orgânicos na atmosfera, como cetonas e aldeídos. 

                                                                NO₂ + O₂ → NO + O₃

Os episódios de poluição ocorrem devido á elevada concentração de ozono, sobretudo no período de verão, em dias de elevada radiação solar e com vento fraco. Assim,  pela sua constituição deste (por conter uma amostra de todos os restos e dejetos que circulam pelo ambiente urbano), a inalação do smog é obviamente prejudicial para a saúde do cidadão que convive com aquela área poluída, podendo causar irritações nos olhos e dificuldades respiratórias.    

Exemplo prático

Hoje em dia já se torna comum, em vários países do sudeste asiático, as pessoas saírem à rua com máscaras hospitalares, com a finalidade de se proteger da massa de poluição que deriva pela atmosfera, como tal são exemplos claros de como o problema do smog é uma ameaça para a saúde de qualquer organismo que escolha habitar um local com exagerada concentração de poluentes no ar circundante.

Normalmente, as crianças sofrem com maior intensidade com este fenómeno, pela tendência de permanecerem mais tempo ao ar livre do que um adulto comum. Há que citar também os idosos que sofrem de doenças nos pulmões ou no coração, são assim completamente vulneráveis ao smog. 

Chuva ácida

A libertação de óxidos de enxofre e de nitrogénio, produzidos pela queima de combustíveis fósseis nas suas diversas fontes,  pode originar ácido sulfúrico e ácido nítrico, por reação com o vapor de água atmosférico.

Estes ácidos em solução atingem o solo com a precipitação, alterando assim a natureza química do mesmo, acidificando-o e mobilizando o ião alumínio (Al3+), de elevada fito-toxicidade.

Estas alterações diminuem a capacidade de absorção da água e dos nutrientes essenciais às plantas, aumentando a sua suscetibilidade a doenças e a infestação de pragas. Além disso, a acidificação das águas dos lagos prejudica a reprodução dos peixes, induzindo a uma redução considerável em certas populações desses ambientes.

Estas alterações promovem o desequilíbrio dos ecossistemas. 

Figura 4: Substâncias formadas com as chuvas ácidas
Figura 4: Substâncias formadas com as chuvas ácidas

Partículas em suspensão

As partículas em suspensão (PM) são partículas líquidas ou sólidas muito finas, orgânicas ou inorgânicas, que constituem um dos grupos de poluentes mais nocivos à saúde humana. Estas existem em diferentes tamanhos, e agem associando-se a barreiras respiratórias, que interagem com outros órgãos e tecidos, provocando problemas de caráter respiratório.

As partículas podem provir de fontes naturais, como as erupções vulcânicas, os incêndios florestais e da ação do vento sobre a superfície, tal como da ação humana, nomeadamente a atividade industrial, circulação rodoviária, a construção, a agricultura e a atividade mineira.

Figura 5: Partículas em suspensão
Figura 5: Partículas em suspensão

A monitorização diária da qualidade do ar, em particular das partículas e poeiras em suspensão e a redução da emissão das mesmas, é muito importante.

Notícia em Portugal - Público

Figura 6: Notícia em Portugal
Figura 6: Notícia em Portugal


Poluição no ar responsável por 2000 mortes em Portugal em 2021

Cerca de 2100 mortes em Portugal em 2021 podem ser atribuídas à exposição a partículas em suspensão, revelou um relatório divulgado na sexta-feira, 24 de Novembro de 2023, pela Agência Europeia do Ambiente.

Aquecimento global

O aquecimento global é causado pelo aumento do efeito de estufa, o que promove o aumento da temperatura média no planeta Terra.

A superfície da Terra é aquecida pela luz solar, que tende a ser absorvida pelos gases de efeito estufa (GEE) da atmosfera, como o vapor de água e o dióxido de carbono, entre outros. Desta forma, o calor não escapa para o espaço, provocando assim uma maior retenção de calor da Terra, para atmosfera, a qual passa a funcionar como uma enorme estufa.  

Figura 7: Mecanismo efeito de estufa
Figura 7: Mecanismo efeito de estufa

Este processo é essencial, visto que garante que a Terra mantenha a temperatura adequada para a vida. Porém, com o aumento dos GEE, devido à queima crescente de combustíveis fósseis, há a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano, por exemplo, provocando o aumento da temperatura na superfície Terrestre, passando este a ser prejudicial.

Notícia Exame

Cientistas de diversas partes do mundo reuniram-se de na Austrália para avaliar os riscos do derretimento dos glaciares na Antártica e as suas implicações para o planeta.  

No desfecho do encontro, foi divulgado um relatório detalhado, alertando para os efeitos potencialmente devastadores do degelo no aumento do nível do mar.


Redução da camada de ozono

A acumulação de ozono, numa camada constituinte da estratosfera (na alta atmosfera), é benéfica, dado que, atua como um filtro para os raios ultravioleta, impedindo uma parte significativa dessa radiação.

Durante a evolução das espécies, a formação da camada do ozono permitiu a ocupação de ambientes terrestres, através do ozono originado a partir do oxigénio resultante de fotossíntese realizada por microrganismos aquáticos, nomeadamente cianobactérias.

Durante a segunda metade do século XX, verificou-se a diminuição do ozono na estratosfera, principalmente sobre a Antártida. Mais tarde conclui-se, através de estudos, a influência de vários poluentes, apesar de os clorofluorcarbonetos (CFC) serem frequentemente associados à diminuição da camada de ozono, moléculas como o óxido nitroso e o óxido nítrico são igualmente responsáveis pelos danos nesta camada, o que faz com que ainda hoje as consequências sejam apreciáveis. 

Figura 9: Evolução do buraco na camada de ozono
Figura 9: Evolução do buraco na camada de ozono
Figura 10:Evolução do buraco na camada do ozono
Figura 10:Evolução do buraco na camada do ozono

Remediação da poluição atmosférica

Nas últimas décadas, a poluição atmosférica tem vindo a ser alvo de maior atenção, dado que é uma das principais consequências da atividade humana. Desta forma, cada vez mais se tem adotado medidas de forma a minimizar as mesmas, tais como: 

  • Nas grandes indústrias usam-se equipamentos que retêm a maior parte dos poluentes e limitam significativamente a poluição atmosférica local, nomeadamente nos países desenvolvidos. O dióxido de carbono constitui uma exceção, uma vez que ainda não existem dispositivos eficazes para a sua captura.

  • Nos automóveis, o uso obrigatório de catalisadores reduz a libertação de óxidos de azoto e de monóxido de carbono. Além disso, a atual transição para a mobilidade elétrica reduz, de forma acentuada, a emissão de poluentes, desde que a eletricidade provenha de fontes de energia renovável.

  • Os comportamentos individuais, entre eles, destacam-se a escolha de eletrodomésticos energeticamente mais eficazes, a moderação dos hábitos de consumo ou o uso de transportes públicos.

  • Preservação de florestas naturais e a sua gestão sustentável, de modo a reduzir os fogos florestais e a consequente poluição atmosférica.

  • Promover o controle e a fiscalização das queimadas em lavouras, áreas de pastagens e em regiões de cobertura vegetal natural.

  • Criação e expansão de áreas verdes nos espaços urbanos, como frações arborizadas e jardins, que funcionam como sumidouros de CO₂ .

A adoção destas medidas permite a minimização da libertação de poluentes, e como consequência diminuição da poluição atmosférica.  

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